[{"content":"Diário de bordo, Data Estelar 1805.26\nInstalação do Arch Linux efetuada com sucesso. O Plasma estava lá, lindo, reluzente, com seus efeitos Wayland funcionando como propaganda de revista. Um momento de legítimo orgulho para qualquer um que já tentou instalar o Arch Linux seguindo o seu guia de instalação padrão, e sabe o que é ver uma tela preta onde deveria haver um desktop.\nAnimadamente, abri o menu. Queria apenas um terminal. Rodar uma atualização básica, sentir que estava no controle. Coisa simples. Rotina.\nCadê o terminal que deveria estar aqui?\nO Konsole não estava lá\u0026hellip; Ups!\nO Inventário do Desastre Fui explorar o que o instalador havia generosamente me deixado. O Plasma estava presente em toda a sua glória visual. A barra de tarefas, os widgets, as configurações do sistema — tudo impecável. Wayland rodando sem soluço.\nMas o Konsole — o terminal padrão do KDE — não estava instalado. O Dolphin — o gerenciador de arquivos — também não. Basicamente qualquer aplicativo que tornasse aquele desktop utilizável para alguma coisa além de contemplação estética havia ficado de fora.\nEu tinha um carro esportivo sem volante.\nPara onde foram os meus belos apps?\nFui ao menu procurar qualquer coisa que parecesse uma saída. Uma janelinha de execução. Um navegador de arquivos escondido em algum submenu. Qualquer coisa.\nNada.\nNo Slackware velho de guerra isso não acontece.\nLá o xterm está presente desde o primeiro boot. Feio, cinza, com fonte bitmap de 1994, sem antialiasing, sem personalidade — mas presente. O Slackware não pergunta se você quer um terminal. Ele simplesmente coloca um ali e vai embora. O Arch me entregou um Plasma com blur nas janelas e sem terminal.\nNem o humilde htop escapou.\nAnotei no livro vermelho de ocorrências.\nSaindo do Buraco Depois de alguns minutos encarando um desktop bonito e completamente mudo, alguma coisa lá no fundo da memória muscular sussurrou uma combinação de teclas.\nCtrl + Alt + F2.\nQue logo de cara não funcionou. Deparei-me com uma tela preta com um cursor em X no meio, mais nada. Bem aos moldes do antigo X quando se recusava a subir. Só um detalhe: isso aqui estava rodando em Wayland, o novo padrão gold do ecossistema Linux para servidor gráfico. Nem tão gold assim, aparentemente. Num gesto desesperado, lancei um Ctrl + Alt + F3.\nAí sim a magia funcionou. A tela ficou preta com letras brancas. Sem gráficos, sem efeitos, sem blur nas janelas. Como 1985. E ali, finalmente, surgiu uma tela de login. Dava para digitar alguma coisa. A rede cabeada já estava funcionando graças a São Patrick, o sudo estava configurado, e o sistema começou a se atualizar enquanto eu respirava aliviado num terminal que parecia ter viajado no tempo.\nsudo pacman -Syu Reconstruindo o que Deveria Ter Vindo Com o sistema atualizado, era hora de instalar o que havia ficado pelo caminho. Uma pesquisa rápida apontou para o grupo kde-applications-meta, que reúne o conjunto completo de aplicativos do KDE:\nsudo pacman -S kde-applications-meta O pacman fez seu trabalho. É tanto pacote caindo junto dentro do sistema que nem dá pra contabilizar. Pausa para hidratação compulsória.\nPacman guloso nos updates.\nApós um longo período de download graças à minha lenta internet, e de conseguir de alguma forma retornar para o login gráfico, finalmente o Dolphin apareceu. O Konsole apareceu. A sensação foi de alívio. Uma pequena vitória técnica irrelevante aos olhos dos experts, mas compensadora para os primeiros passos.\nUm Último Detalhe: o Firewall Invisível O instalador havia instalado e configurado um firewall para o sistema, o UFW, mas sem a sua interface gráfica. Tecnicamente protegido. Praticamente gerenciável apenas por quem decora comandos cabulosos de cor, o que não é exatamente o meu caso.\nsudo pacman -S gufw UFW e Dolphin, finalmente.\nUma janelinha simples apareceu. O firewall estava visível. Missão cumprida por hoje.\nNota mental: providenciar uns papéis de parede mais descolados para deixar o Plasma mais bonito.\nO Balanço do Dia No fim das contas, o Plasma estava de pé, atualizado, com seus aplicativos no lugar e o firewall visível. O que parecia um pesadelo era apenas uma tarde de trabalho, alguns momentos de pânico, e uma memória muscular que apareceu na hora certa sem avisar.\nAgora sim temos sistema.\nMas o episódio fica registrado. O sistema subiu bonito e eu fiquei travado porque não tinha terminal. Isso acontece. Talvez eu tenha confiado demais na eficiência do script instalador automático Arch-Install. Provavelmente acontece com muita gente que nunca vai contar porque parece bobagem demais para admitir.\nAqui a gente conta.\nE no Slackware velho de guerra, o xterm feio já estaria lá me esperando.\nPróximo capítulo: com o sistema finalmente habitável, é hora de encarar o ComfyUI. Quanto tempo o FX-6300 leva para gerar uma imagem? A resposta vai doer.\n","permalink":"https://teimosodolinux.github.io/pt/posts/2026/05/arch-linux-p%C3%B3s-instalacao/","summary":"Instalação do Arch Linux concluída. O Plasma estava lindo, reluzente, com Wayland rodando como propaganda de revista. Só faltava um terminal. E o gerenciador de arquivos. E qualquer coisa útil.","title":"O Plasma perfeito que não servia pra nada"},{"content":"Diário de bordo, Data Estelar 1337.15\nHoje é dia de Slackware, Teimosos! Hora de instalar o paizão de todos, novamente, pela milésima vez. Mas será só a quarta ou quinta instalação dele em 2026. Espero que seja definitiva.\nAntes que se perguntem: por que diabos instalar o Slackware Linux em 2026? Ele é jurássico, não tem resolução automágica de dependências, é complicado de se manter ao longo do tempo, sua versão atual — a 15.0 — já sente o peso do tempo, começando a ficar obsoleto em excesso. E eu pergunto de volta: por que não? Será no mínimo instrutivo, divertido até. Para um nerd, claro.\nSlackware Linux em ação.\nGosto de imaginar que aqui no TDL-Lab — Laboratório Teimoso do Linux —, tudo tem um propósito claro, por mais absurdo que pareça. Não é verdade, é claro. Voltando: o próximo propósito é até bem prosaico, mas nem por isso mais fácil. É fazer o Slackware 15 compilar, instalar e rodar adequadamente o driver proprietário para minha placa de vídeo Nvidia GeForce GT-610 novamente. Ora pois, ele já conseguiu fazer isso no passado. Só porque os stacks gráficos, kernels e Xorgs da vida foram atualizados, e o driver proprietário da placa teve o suporte abandonado pela sua própria criadora — a Nvidia Corporation —, não quer dizer que ela não possa funcionar novamente.\nDisclaimer: O mais provável é que não funcione mesmo. Estimativa aproximada de sucesso: 35%, com sorte.\nFiquem calmos, eu tenho um plano para testar, fazer a mágica acontecer, e tudo rodar de maneira suave. É um plano infalível! Mas antes de tudo, é preciso instalar o nosso velho companheiro no HD. SSD, no caso. É aqui que a aventura técnica começa, rapazes e meninas!\nParticionando sem desperdício: adeus, swap partition O disco em questão é modesto: 60GB. Nada que justifique desperdiçar 4GB ou mais numa partição swap fixa, imutável, gravada em pedra como se estivéssemos em 1998. A solução civilizada — e curiosamente mais flexível — é o swapfile.\nCom um swapfile, você pode aumentar, diminuir ou deletar o swap sem tocar na tabela de partições. Quer testar compilar um kernel pesado amanhã e precisa de mais folga? Expande. Quer recuperar espaço depois? Deleta e recria menor. Simples assim.\nO processo exige apenas um pouco de atenção manual logo após a instalação base, antes do primeiro reboot — exatamente o tipo de coisa que o Slackware te deixa fazer sem reclamar, ao contrário de certas distribuições que acham que você não é de confiança. Não sou, mas vida que segue.\nO detalhe que poderia ter explodido tudo: o LILO Antes de chegar na parte do swap, porém, uma armadilha silenciosa me esperava: a instalação do LILO, o bootloader histórico do Slackware.\nPor padrão, o instalador tende a ser\u0026hellip; digamos, entusiasmado demais na hora de escolher onde gravar o bootloader. Num sistema com mais de um disco — como o meu, que convive pacificamente com um HD rodando Windows e outro rodando Arch Linux —, deixar o LILO decidir sozinho é um convite ao desastre. Ele poderia muito bem se instalar no disco errado, sobrescrever o bootloader do Windows e transformar uma instalação de laboratório numa tarde de recuperação de emergência.\nSim, também temos o indefectível Screenfetch.\nPara evitar essa catástrofe, usei a configuração avançada do LILO dentro do próprio setup, especificando manualmente o disco e a partição corretos. Nada de delegação nessa hora. O instalador do Slackware oferece essa opção, e ela existe exatamente para situações como essa.\nCriando o swapfile manualmente Com o sistema base instalado e o LILO no lugar certo, chegou a hora de configurar o swap. O instalador oferece um shell antes do reboot — é aqui que a mágica acontece.\nPrimeiro, entramos no ambiente do sistema recém-instalado:\n# chroot /mnt Criamos o arquivo de swap. Para um laboratório de testes, 2GB seria um ponto de partida razoável. Não somos razoáveis — vamos logo para os 4GB:\n# dd if=/dev/zero of=/swapfile bs=1M count=4096 Ajustando as permissões — etapa obrigatória, não opcional:\n# chmod 600 /swapfile Formatando e ativando:\n# mkswap /swapfile # swapon /swapfile E para garantir que ele será ativado automaticamente em todo boot, adicionando a entrada no /etc/fstab:\n# echo \u0026#39;/swapfile none swap sw 0 0\u0026#39; \u0026gt;\u0026gt; /etc/fstab Para confirmar que está tudo funcionando:\n# swapon --show # free -h Temos Swap afinal.\nApareceu o swapfile listado e o free mostrou swap disponível. Missão cumprida.\nNo futuro, caso eu precise redimensionar A beleza do swapfile: redimensionar é trivial. Desativa, recria com o novo tamanho, reformata e reativa:\n# swapoff /swapfile # dd if=/dev/zero of=/swapfile bs=1M count=2048 # chmod 600 /swapfile # mkswap /swapfile # swapon /swapfile Obs: Nenhuma partição foi ferida nesse processo.\nEu poderia ter criado esse swapfile após o primeiro boot? Poderia. Por que criar antes, então? Boa pergunta técnica, que não sei responder. Aceito palpites.\nPara quem está pretendendo sair do Windows e instalar alguma distro Linux: eu NÃO RECOMENDO iniciar com o Slackware. Pesquise em algum canal no YouTube por alguém realmente entendido na matéria, com orientações seguras. Vai por mim — gato escaldado tem medo de água fria.\nRelatório da primeira missão: Concluída com sucesso Todo o processo terminou normalmente, sem erros. O LILO apontou pro disco certo, o sistema subiu lindamente após o primeiro reboot, temos swap. Tela de login inicial funcional. O ancião Slackware Linux 15.0 foi oficialmente instalado no Mustang PC do TDL-Lab.\nPróximos capítulos Agora sim vai começar a parte interessante — e potencialmente frustrante — da operação: fazer o driver da GT-610 funcionar num sistema moderno que já não quer mais saber dele.\nO plano infalível será revelado em breve. Spoiler: ele provavelmente vai falhar pelo menos uma vez antes de funcionar.\nVamos lá rebootar?\n","permalink":"https://teimosodolinux.github.io/pt/posts/2026/05/slackware-linux-primeira-instalacao/","summary":"\u003cp\u003e\u003cem\u003eDiário de bordo, Data Estelar 1337.15\u003c/em\u003e\u003c/p\u003e\n\u003cp\u003eHoje é dia de Slackware, Teimosos! Hora de instalar o paizão de todos, novamente, pela milésima vez. Mas será só a quarta ou quinta instalação dele em 2026. Espero que seja definitiva.\u003c/p\u003e\n\u003cp\u003eAntes que se perguntem: por que diabos instalar o Slackware Linux em 2026? Ele é jurássico, não tem resolução automágica de dependências, é complicado de se manter ao longo do tempo, sua versão atual — a 15.0 — já sente o peso do tempo, começando a ficar obsoleto em excesso. E eu pergunto de volta: por que não? Será no mínimo instrutivo, divertido até. 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A ideia original era explorar as possibilidades de rodar ferramentas modernas de geração de imagens via IA — especificamente o ComfyUI — no bom e velho Slack 15. Pesquisei, perguntei, fuçei fóruns obscuros. A resposta foi gentil mas implacável: o Slackware 15 estável tem um Python velho demais para essa história, e o Slackware-current — a versão em desenvolvimento — tem um aviso oficial alertando que ele é um campo de testes, não deve ser usado em ambiente de produção real e se algo der errado, você estará por sua conta e risco. E termina com um \u0026ldquo;você foi avisado\u0026rdquo;, o que não inspira muita confiança para quem quer que as coisas funcionem.\nDepois de muito brainstorming — o tipo de conversa que acontece com a máquina aberta e as mãos cheias de parafuso — cheguei a uma conclusão que me custou algum orgulho: para rodar o ComfyUI com alguma sanidade, o Arch é a escolha menos masoquista disponível.\nCirurgia para aditivar mais armazenamento.\nO Slackware 15 estável ganha um SSD menor como zoológico digital, laboratório de experimentos sem pressão, gerador farto de conteúdo para este blog. Cada coisa no seu lugar. E assim, com a dignidade levemente ferida de um Slacker Stable de carteirinha, eu abri o instalador do Arch.\nA Instalação: quando o inimigo te surpreende O Arch Linux de 2026 não é o bicho de sete cabeças que a lenda descreve. Tem um instalador de texto que guia o processo com perguntas diretas. Fui respondendo uma a uma, muitas vezes sem entender completamente o que estava escolhendo, confiando numa pesquisa prévia e em consultas aos meus conselheiros técnicos, enquanto sentado na frente do teclado.\nEscolhi BTRFS como sistema de arquivos — por uma razão bem simples: ele permite criar \u0026ldquo;fotografias\u0026rdquo; do sistema antes de atualizações, de forma que se algo quebrar, você pode voltar atrás. Para quem vai usar o Arch — famoso por atualizações que às vezes surpreendem — isso é menos um luxo e mais uma necessidade emocional.\nEscolhi o Kernel Zen, que promete melhor desempenho para esse tipo de uso. Escolhi o Plasma com Wayland. Fui seguindo.\nTive um momento de dúvida genuína quando o instalador perguntou sobre snapshots — aquelas tais fotografias do sistema. Apareceu uma opção nova chamada Snapper, que eu não conhecia. Pesquisei na hora, descobri que é exatamente o que eu precisava, e confirmei. O instalador cuidou do resto.\nTeve também uma novidade que não esperava encontrar: uma opção chamada plasma-login-manager, descrita como o novo gerenciador de login do KDE, ainda em desenvolvimento. A tentação de experimentar existiu por uns trinta segundos. Depois lembrei que já estava saindo da zona de conforto o suficiente por um dia, e fiquei com o velho e confiável SDDM.\nO Momento da verdade Sistema instalado. Primeiro reboot.\nO GRUB apareceu. O Plasma subiu. Sem tela preta. Sem mensagem de erro. Sem o kernel me xingando em hexadecimal.\nAté aqui, tudo correu bem.\nFuncionou. Fiquei admirado em ver o Arch Linux simplesmente funcionando na primeira tentativa, após passar anos ouvindo histórias de horror. É quase como chegar num duelo esperando uma briga e o adversário te oferecer café.\nAlgumas lições aprendidas no caminho Depois que o sistema subiu, ainda havia trabalho a fazer — configurar a memória virtual, criar o arquivo de swap, ajustar detalhes que o instalador não cobre. Aqui confesso que naveguei em águas que não dominava, apoiado em pesquisa e orientação externa para não cometer erros que o BTRFS cobra caro.\nO BTRFS, por exemplo, tem uma relação complicada com arquivos de swap que eu jamais descobriria sozinho. Existem passos específicos que precisam acontecer numa ordem específica, caso contrário o resultado pode ser silenciosamente desastroso. Não vou fingir que sabia disso de antemão.\nA lição é simples e antiga: saber o que você não sabe é tão importante quanto o que você sabe. O Arch recompensa quem pesquisa antes de agir. E pune quem não pesquisa com a mesma indiferença tranquila. Um dia ainda vou aprender isso de verdade. Espero que seja antes de quebrar o sistema.\nA Sensação que fica Usar o Arch tem uma qualidade específica que merece ser nomeada: é como morar num apartamento em cima de um vulcão adormecido. Bonito, funcional, excelente localização. Mas a cada atualização do sistema você se pergunta se hoje é o dia do \u0026ldquo;Kernel Panic\u0026rdquo;.\nEssa sensação não desaparece com o tempo. Quem usa Arch sabe que ela está sempre lá. O Snapper não elimina o vulcão — coloca uma rota de fuga sinalizada.\nO Slackware 15, por outro lado, é uma casa sólida construída em terreno estável. Você sabe exatamente o que tem, sabe que ele não vai alterar nada sem você pedir, e dorme tranquilo. O preço é pagar com sangue, suor e lágrimas cada novidade um pouco mais complexa que você quiser trazer de fora.\nDois paradigmas diferentes. Dois tipos de teimosia diferentes.\nKDE Plasma em toda sua glória.\nPor enquanto, o Arch ganhou uma função específica neste setup: rodar o ComfyUI enquanto o processador sua em bicas gerando imagens. O Slackware 15 no SSD menor continua vivo, respirando, cheio de experimentos mal explicados esperando por um post.\nO Teimoso do Linux cedeu um pouco de terreno. Mas não baixou a guarda.\nCenas do próximo capítulo\u0026hellip; Instalando o ComfyUI no Arch(ou tentando), e descobrindo quantos minutos o processador leva para produzir algo que se pareça remotamente com uma imagem.\n","permalink":"https://teimosodolinux.github.io/pt/posts/2026/05/arch-linux-primeira-instalacao/","summary":"\u003ch1 id=\"sobrevivendo-ao-primeiro-contato-com-o-arch-linux\"\u003eSobrevivendo ao primeiro contato com o Arch Linux\u003c/h1\u003e\n\u003cp\u003eCerto exagero meu, já tive contato com o Arch Linux anterioremente. Muito antes do systemd, quando ele usava um Init System lógico e racional. Talvez no século passado? Estive apartado dele por longo tempo.  Mas isso não vem ao ponto agora.\u003c/p\u003e\n\u003cp\u003eO ponto é que preciso é ser honesto logo de cara: eu não deveria estar escrevendo este post.\u003c/p\u003e\n\u003cp\u003eNão porque algo deu errado. Pelo contrário — porque deu certo demais, rápido demais, sem drama suficiente para justificar o pavor histórico que eu nutria pelo Arch Linux. E isso, convenhamos, é quase decepcionante para um blog chamado Teimoso do Linux.\u003c/p\u003e","title":"Sobrevivendo ao primeiro contato com Arch Linux"},{"content":"Antes do primeiro boot, havia somente o vazio…\nOu melhor: havia um FX-6300 com 8 GB de RAM, uma placa de vídeo Nvidia GeForce GT-610 que mal consegue exibir a área de trabalho, um HD de 1 TB ávido por receber modelos de Inteligência Artificial e a teimosia de alguém que nunca conseguiu largar o Linux de vez.\nVelho mas rodando Linux. Chupa essa uva, Windows 11. Meu nome é Marcelo Souza (ou apenas “o Teimoso”), sou Designer por formação, nerd/geek old school e este é o teimosodolinux.github.io — um diário de bordo técnico e existencial sobre minhas aventuras (e desventuras) com Linux em 2026.\nPor que “Teimoso do Linux”? Porque essa palavra define perfeitamente minha relação com o sistema.\nDesde o longínquo navegador Mosaic no Windows 3.1, passando pelo Kurumin queimado em CD regravável na faculdade, o Slackware 10.1 que me fez formatar o disco mais vezes que mudei de roupa, o distro hopping crônico (Debian, Ubuntu, Conectiva, Kalango…) e as várias vezes que voltei rastejando para o Slackware mesmo depois de jurar nunca mais consumir essa droga pesada, a teimosia de continuar tentando persistia.\nUm pouco de nostalgia em formato de disco. Eu não sou um usuário avançado — longe disso. Também não sou um completo iniciante. Fico ali na meiuca, mais para o lado noob do que expert. Não sou da área de TI, não sou programador, nem engenheiro de software. Sou só um designer que gosta de mexer em computadores desde os anos 90. Ou antes. Não me lembro quando foi lançado no Brasil o MSX. Vários pentes de memória já queimaram aqui na minha mente.\nCheguei até a tentar levantar uma BBS chamada KID FOFURA BBS na época pré-histórica do tempo antes do tempo. Spoiler: foi um fracasso glorioso.\nO TDL-Lab Este blog nasce como o registro oficial do TDL-Lab // Laboratório Teimoso do Linux, que apesar do pomposo nome, de laboratório mesmo não tem nada. É só um home office com um desktop, um notebook, uma impressora, um par de mesas de escritório e muita quinquilharia tecnológica entulhada. Sim, eu sou um acumulador doente.\nMas pensando em dar algum propósito útil para minhas neuras e manias, e tentando entrar no espírito moderno das mídias sociais, resolvi documentar de algum modo e publicizar tudo ao universo. Futuramente vai restar ao menos o registro de tanta incoerência.\nNão me julgue. Aqui não vai ter tutorial perfeito de quem sabe tudo. Vai ter experimentação real, erros bobos, soluções gambiarra e hardware antigo sendo ressuscitado.\nAquele bom e velho caos organizado. O setup atual do laboratório: Desktop principal: AMD FX-6300, 8 GB RAM, NVIDIA GT 610, placa ASRock 760GM-HD; MacBook Air: Estação de trabalho principal (design e produtividade); Windows 10: Instalado no desktop para compatibilidade e fallback; Discos dedicados: Um para cada distro Linux (Slackware e Arch, por enquanto); Impressoras: Uma multifuncional HP, um par de scanners vintage; Tralhas obsoletas estocadas: Inúmeras. A grande novidade: a IA entrou no jogo O que torna essa nova fase realmente empolgante é uma ferramenta que eu não tinha nas minhas aventuras passadas: a Inteligência Artificial.\nClaude, você ainda está aí? Pela primeira vez tenho um parceiro técnico que me acompanha em tempo real, sugere comandos, explica erros e ainda aguenta minhas ideias malucas de rodar ComfyUI só em CPU numa máquina de 2013. Isso mudou o jogo em quase 200%. Antes eu passava horas perdido em fóruns obscuros e pesquisando blogs ocultos pela interwebs. Hoje eu ainda sofro, mas sofro de forma muito mais inteligente e divertida.\nObjetivo deste blog Documentar tudo: sucessos, fracassos épicos, aprendizados e testes. Não espere um conteúdo estruturado ou organizado — talvez você possa até aprender algo por osmose, mas o importante mesmo é a jornada e o entretenimento. O meu entretenimento, claro.\nPróximos objetivos práticos:\nInstalação do Arch Linux; Ressurreição do Slackware em 2026 (Arqueologia digital); Primeiros passos com ComfyUI só em CPU (preparem os cafés). 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Vida social anoréxica, como manda o manual do nerd raiz.\nMas foi uma noite produtiva. E produtividade merece registro.\nExorcizando o fantasma do \u0026ldquo;Sobre\u0026rdquo; O primeiro bug caçado pela noite foi sutil. Ao usar a busca do blog, digitar \u0026ldquo;S\u0026rdquo; ou \u0026ldquo;Sobre\u0026rdquo; retornava um resultado apontando para uma página Sobre — que não existia. Página fantasma. Assombração de configuração antiga.\nO culpado: um arquivo content/sobre.md esquecido num canto, remanescente de uma tentativa anterior. O menu havia sido removido, mas o arquivo ficou pra trás. O Hugo indexou o conteúdo na busca mesmo sem link de navegação. Um rm cirúrgico e um hugo --gc depois, o fantasma foi exorcizado.\nPrimeira lição da noite: no Hugo, deletar do menu não é o mesmo que deletar o conteúdo.\nBio atualizada, identidade consolidada Aproveitei para atualizar a bio do blog para espelhar exatamente o que está nas redes sociais:\n\u0026ldquo;Dinossauro analógico da era DOS, apanhando do Open Source desde 2002 e perdendo a sanidade mental por uso excessivo do Xterm.\u0026rdquo;\nFina estampa. O Favicon e a saga do browser errado Todo blog que se preze precisa de um favicon — aquele ícone minúsculo que aparece na aba do browser e que 90% das pessoas ignora, mas cuja ausência incomoda demais quem sabe que deveria estar lá.\nTentei com PNG. Não funcionou. Tentei com SVG. Nada. Converti para o velhíssimo formato .ico com auxílio de um conversor online — e funcionou de primeira.\nO formato legado vence de novo. Nem sempre o moderno é melhor; às vezes é só mais chato.\nO detalhe tragicômico da noite: passei alguns minutos dando reload freneticamente para ver se o ícone aparecia, sem resultado algum. Quando percebi, estava dando F5 no endereço do GitHub Pages — não no servidor local. O blog estava rodando em localhost:1313 o tempo todo.\nQuem nunca.\nÍcones sociais no tema O PaperMod, tema do motor Hugo usado aqui no Blog, tem suporte nativo a ícones sociais, e o tema já conhece o X (ex-Twitter) e o Instagram. Bastou adicionar as entradas no hugo.toml:\n[[params.socialIcons]] name = \u0026#34;x\u0026#34; url = \u0026#34;https://x.com/teimosodolinux\u0026#34; [[params.socialIcons]] name = \u0026#34;instagram\u0026#34; url = \u0026#34;https://instagram.com/teimosodolinux\u0026#34; Funcionou na primeira tentativa. Estou ficando bom nisso.\nElon Musk, meu camarada. As Redes Sociais existem. Tenho provas. O Teimoso do Linux já tem presença confirmada no X e no Instagram, ambos com o handle @teimosodolinux. E para provar que isso não é só conversa, eis o primeiro post oficial do projeto nas redes:\nUso Linux não porque ele seja bom. Uso Linux porque sou teimoso.#TeimosoDoLinux\n\u0026mdash; Teimoso do Linux (@teimosodolinux) May 9, 2026 \u0026ldquo;Uso Linux não porque ele seja bom. Uso Linux porque sou teimoso.\u0026rdquo;\nFilosofia resumida em 140 caracteres.\nPonto final (por hoje) Blog com favicon, bio consolidada, fantasmas removidos, redes sociais no ar e ícones funcionando. As configurações pesadas estão encerradas — oficialmente, ou pelo menos oficiosamente.\nO próximo post será a apresentação formal do blog e do projeto. Isso se algo mais não quebrar no meio do caminho. Mas isso é para outro dia.\nPor hoje, o Teimoso vai dormir. Os bits estão suficientemente escovados.\nEpílogo: cantei vitória cedo demais Falei que estava ficando bom nisso. Cantei vitória cedo demais.\nO blog ruiu mais rápido que um castelo de cartas nas tentativas de inserir um snippet do Twitter. O servidor crashou, o log cuspiu erros em série, e a causa raiz foi simples e humilhante: o Hugo evoluiu, o Elon Musk renomeou o Twitter para X, e o mundo inteiro teve que atualizar suas configs em consequência.\nO shortcode {{\u0026lt; tweet \u0026gt;}} foi removido no Hugo v0.156.0. O correto agora é {{\u0026lt; x \u0026gt;}}. E o bloco de privacidade no hugo.toml que antes era [privacy.twitter] passou a ser [privacy.x]. Dois detalhes. Dois crashes. Um xingamento mental ao Elon Musk. E um pro Bill Gates também, só pra não perder o costume.\nNota mental: repensar seriamente essa mania de ficar embedando coisas no blog.\nEscrito num sábado à noite, com o Hugo server aberto numa aba e o GitHub em outra — às vezes na aba errada. O Cláudio entregou o rascunho em YAML. O blog usa TOML. O Cláudio sugeriu privacy.twitter, já deprecado. O Teimoso colou o log. Equilíbrio restaurado, duas vezes.\nQuem diachos é \u0026ldquo;Cláudio\u0026rdquo;? É só um dos meus assessores virtuais de IA. Claude era formal demais pra mim, Jarvis já estava registrado. Um \u0026ldquo;rebrand\u0026rdquo; para Cláudio era a única solução óbvia, logicamente.\n","permalink":"https://teimosodolinux.github.io/pt/posts/2026/05/o-que-faz-um-nerd/","summary":"\u003cp\u003eCertamente ele não sai por aí, travestido de morcego, procurando criminosos fantasiados de palhaço para espancá-los.\u003c/p\u003e\n\u003cp\u003eEle escova bits. Obviamente.\u003c/p\u003e\n\u003cp\u003eEnquanto o mundo lá fora fazia coisas de mundo lá fora, eu estava aqui no meu home office — entre a mesa do computador, a mesa do notebook e a prancheta de desenho — resolvendo as últimas pendências de configuração do blog. Vida social anoréxica, como manda o manual do nerd raiz.\u003c/p\u003e","title":"O que um Nerd faz num sábado à noite?"},{"content":"No post anterior, eu coloquei muita banca, contei vantagem de como havia conseguido subir o blog de maneira quase perfeita. Bullshit. Foi uma surra. Quase fui derrotado por uma barra invertida no arquivo markdown. Pelo menos agora já tenho ao menos um campo de comentários funcional, eu acho. Ainda precisa de testes em produção.\nO primeiro banho de água fria foi subir o blog, após o commit oficial, e ver a exasperante mensagem de erro 404. \u0026ldquo;Ora bolas, e mais essa agora? No Blogger não é assim\u0026hellip;\u0026rdquo;\nRecorri ao único recurso disponível para um dinossauro analógico em pânico: pedir socorro para a IA. E o socorro veio na forma de um checklist humilhante de coisas óbvias que eu não havia feito. O GitHub Pages não se ativa sozinho após um commit — precisa ser habilitado manualmente nas configurações do repositório. Detalhe menor. Facilmente ignorável. Especialmente quando você está convicto de que fez tudo certo.\nTudo parecia indo tão bem. Resolvido o Pages, veio o segundo problema: o workflow do GitHub Actions. O Hugo não é um site estático que você simplesmente joga numa pasta — ele precisa ser compilado. O Actions faz isso automaticamente a cada push, mas o arquivo de configuração precisa existir, estar no lugar certo, e conter exatamente o que deve conter. Uma linha errada e a bolinha fica vermelha. Várias bolinhas vermelhas depois, a bolinha ficou verde. Vitória parcial.\nParcial porque o site subiu mostrando um XML cru no navegador. Sem estilo. Sem layout. Sem nada. Parecia o conteúdo de um feed RSS jogado na tela — porque era exatamente isso. O tema PaperMod não estava sendo carregado. Motivo: estava registrado como submódulo git sem que eu soubesse direito o que isso significava na prática. Uma linha no workflow depois — submodules: recursive — o tema voltou à vida.\nAgora sim ficou bom, só que não. Aí vieram as imagens. Organizei tudo bonitinho em pastas dentro de cada post, referenciei os arquivos no markdown, subi tudo. As imagens não apareceram. O problema? Uma barra. Uma única barra no início do caminho: /images/foto.webp em vez de images/foto.webp. Com a barra, o Hugo procura o arquivo na raiz do site. Sem a barra, procura dentro do post. A diferença entre funcionar e não funcionar é um caractere que cabe numa vírgula.\nQuem nunca? No total: 404, workflow quebrado, tema sumido, imagens invisíveis, e uma quantidade irresponsável de commits com mensagens cada vez menos profissionais. O blog está no ar. As imagens aparecem. O layout funciona. O campo de comentários miraculosamente já existe — se ele funciona ou não, aí já é uma outra história.\nÀs vezes vencer é só não desistir e teimar um pouco mais até a bolinha ficar verde.\n","permalink":"https://teimosodolinux.github.io/pt/posts/2026/05/quase-derrotado-barra-inadvertida/","summary":"\u003cp\u003eNo post anterior, eu coloquei muita banca, contei vantagem de como havia conseguido subir o blog de maneira quase perfeita. Bullshit. Foi uma surra. Quase fui derrotado por uma barra invertida no arquivo markdown. Pelo menos agora já tenho ao menos um campo de comentários funcional, eu acho. Ainda precisa de testes em produção.\u003c/p\u003e\n\u003cp\u003eO primeiro banho de água fria foi subir o blog, após o commit oficial, e ver a exasperante mensagem de erro 404. \u0026ldquo;Ora bolas, e mais essa agora? No Blogger não é assim\u0026hellip;\u0026rdquo;\u003c/p\u003e","title":"Quase derrotado por uma barra inadvertida // nem tudo é o que parece"},{"content":"Eu tinha um objetivo simples: iniciar um blog para compartilhar minhas aventuras e desventuras técnicas envolvendo Linux, software livre e assuntos correlatos. Bolei uma estrutura legal, um layout honesto, fiz alguma pesquisa sobre plataformas e pronto — decidi hospedar tudo no GitHub. Parecia um caminho lógico e natural, já que um blog sobre Open Source precisa ficar no GitHub, certo?\nParecia certo.\nDizem que configurar um blog estático com Hugo é \u0026ldquo;vapt-vupt\u0026rdquo;. É o que os tutoriais no YouTube, gravados por pessoas que provavelmente não têm um FX-6300 e uma inclinação genética para a teimosia, tentam te vender. A realidade? É uma guerra de trincheiras contra arquivos .toml e hierarquias de pastas que parecem ter sido desenhadas por um arquiteto sádico.\nO Plano Original A ideia era simples: colocar o Teimoso do Linux no ar.\nMotor: Hugo Tema: PaperMod Objetivo: ter um lugar para documentar minhas peripécias técnicas sem as distrações das redes sociais Tudo corria razoavelmente bem, até eu pensar:\n\u0026ldquo;Mas seria bom ter uma área de comentários no rodapé. Afinal, todo Blog tem isso.\u0026rdquo;\nMal sabia eu que o \u0026ldquo;ato final\u0026rdquo; — configurar uma simples caixa de comentários — se tornaria o meu final boss.\nCriar uma conta no GitHub foi a parte fácil. A Odisséia das Ferramentas 1. Disqus — A Via Tradicional \u0026ldquo;Se o mestre Fabio Akita usa, eu uso\u0026rdquo;, pensei. Vamos de Disqus. Configurei o shortname, ajustei o arquivo de configuração e\u0026hellip; nada. O rodapé continuava um deserto de pixels cinzas.\nO Disqus é como aquele driver proprietário que você sabe que deveria funcionar, mas que decide entrar em greve sem emitir um único log de erro.\n2. Giscus — A Via Nerd Apelei para o Giscus. \u0026ldquo;Vamos usar as Discussions do GitHub!\u0026rdquo;, gritei para as paredes. O resultado? O blog, em um ato de rebeldia pura, decidiu renderizar o código-fonte do script na tela em vez de executar a ferramenta.\nVer o seu próprio código HTML impresso como se fosse um poema concretista é uma experiência transcendental, mas pouco funcional.\n3. Cactus.chat — A Via da Privacidade Tentei ser ético. Tentei ser minimalista. O Cactus.chat prometia comentários via Matrix, sem rastreio e com visual limpo.\nO Hugo respondeu exibindo apenas o título \u0026ldquo;Comentários\u0026rdquo;, seguido de um vácuo existencial.\nO \u0026ldquo;Berro\u0026rdquo; do Goldmark No meio do caminho, descobri que o Hugo tem um sistema de segurança chamado Goldmark que, por padrão, trata qualquer HTML \u0026ldquo;estranho\u0026rdquo; como uma ameaça biológica.\nTentei desativar a trava com o famoso:\nunsafe = true O Hugo não apenas ignorou o comando, como berrou erros de sintaxe que me fizeram questionar se eu ainda sabia ler um arquivo de configuração.\nNada como um dia exasperante de combate contra o terminal. Lições de um Dia de Combate Após horas editando parciais, criando overrides de layouts e reiniciando o servidor (hugo server -D) mais vezes do que reiniciei meu primeiro Slackware, cheguei a uma conclusão importante:\nO \u0026ldquo;feito\u0026rdquo; é melhor que o \u0026ldquo;perfeito\u0026rdquo;, mas o \u0026ldquo;postado\u0026rdquo; é melhor que o \u0026ldquo;esgotado\u0026rdquo;.\nO blog está no ar. As tags estão lá. A busca (que também deu luta!) está operacional. O design está limpo.\nO fato de não haver comentários agora talvez seja um aviso do universo: antes de ouvir a opinião dos outros, eu precisava primeiro terminar de configurar o meu próprio espaço.\nPróximos Passos Se você está lendo isso e quer comentar — sinto muito: você não pode. Pelo menos não hoje. A caixa de comentários ainda é um mito urbano neste domínio. Certamente esqueci alguma vírgula fora de lugar em arquivos de configuração ocultos, ou apaguei algo que não deveria.\nMas fiquem tranquilos: a teimosia não morreu. Ela só foi dormir para não jogar o notebook pela janela.\nVeredito: Hugo 1 × 0 Sanidade Mental. (Mas haverá volta.)\n","permalink":"https://teimosodolinux.github.io/pt/posts/2026/05/prologo-blog-quase-funcional/","summary":"\u003cp\u003eEu tinha um objetivo simples: iniciar um blog para compartilhar minhas aventuras e desventuras técnicas envolvendo Linux, software livre e assuntos correlatos. Bolei uma estrutura legal, um layout honesto, fiz alguma pesquisa sobre plataformas e pronto — decidi hospedar tudo no GitHub. Parecia um caminho lógico e natural, já que um blog sobre Open Source \u003cem\u003eprecisa\u003c/em\u003e ficar no GitHub, certo?\u003c/p\u003e\n\u003cp\u003eParecia certo.\u003c/p\u003e\n\u003cp\u003eDizem que configurar um blog estático com Hugo é \u003cem\u003e\u0026ldquo;vapt-vupt\u0026rdquo;\u003c/em\u003e. É o que os tutoriais no YouTube, gravados por pessoas que provavelmente não têm um FX-6300 e uma inclinação genética para a teimosia, tentam te vender. A realidade? É uma guerra de trincheiras contra arquivos \u003ccode\u003e.toml\u003c/code\u003e e hierarquias de pastas que parecem ter sido desenhadas por um arquiteto sádico.\u003c/p\u003e","title":"Prólogo: 12 Horas, 3 Sistemas de Comentários e um Blog (Quase) Funcional"}]