Diário de bordo, Data Estelar 1805.26

Instalação do Arch Linux efetuada com sucesso. O Plasma estava lá, lindo, reluzente, com seus efeitos Wayland funcionando como propaganda de revista. Um momento de legítimo orgulho para qualquer um que já tentou instalar o Arch Linux seguindo o seu guia de instalação padrão, e sabe o que é ver uma tela preta onde deveria haver um desktop.

Animadamente, abri o menu. Queria apenas um terminal. Rodar uma atualização básica, sentir que estava no controle. Coisa simples. Rotina.


Arch Linux sem terminal
Cadê o terminal que deveria estar aqui?


O Konsole não estava lá… Ups!


O Inventário do Desastre

Fui explorar o que o instalador havia generosamente me deixado. O Plasma estava presente em toda a sua glória visual. A barra de tarefas, os widgets, as configurações do sistema — tudo impecável. Wayland rodando sem soluço.

Mas o Konsole — o terminal padrão do KDE — não estava instalado. O Dolphin — o gerenciador de arquivos — também não. Basicamente qualquer aplicativo que tornasse aquele desktop utilizável para alguma coisa além de contemplação estética havia ficado de fora.

Eu tinha um carro esportivo sem volante.


Arch Linux sem apps
Para onde foram os meus belos apps?


Fui ao menu procurar qualquer coisa que parecesse uma saída. Uma janelinha de execução. Um navegador de arquivos escondido em algum submenu. Qualquer coisa.

Nada.

No Slackware velho de guerra isso não acontece.

Lá o xterm está presente desde o primeiro boot. Feio, cinza, com fonte bitmap de 1994, sem antialiasing, sem personalidade — mas presente. O Slackware não pergunta se você quer um terminal. Ele simplesmente coloca um ali e vai embora. O Arch me entregou um Plasma com blur nas janelas e sem terminal.


Htop faltando
Nem o humilde htop escapou.


Anotei no livro vermelho de ocorrências.


Saindo do Buraco

Depois de alguns minutos encarando um desktop bonito e completamente mudo, alguma coisa lá no fundo da memória muscular sussurrou uma combinação de teclas.

Ctrl + Alt + F2.

Que logo de cara não funcionou. Deparei-me com uma tela preta com um cursor em X no meio, mais nada. Bem aos moldes do antigo X quando se recusava a subir. Só um detalhe: isso aqui estava rodando em Wayland, o novo padrão gold do ecossistema Linux para servidor gráfico. Nem tão gold assim, aparentemente. Num gesto desesperado, lancei um Ctrl + Alt + F3.

Aí sim a magia funcionou. A tela ficou preta com letras brancas. Sem gráficos, sem efeitos, sem blur nas janelas. Como 1985. E ali, finalmente, surgiu uma tela de login. Dava para digitar alguma coisa. A rede cabeada já estava funcionando graças a São Patrick, o sudo estava configurado, e o sistema começou a se atualizar enquanto eu respirava aliviado num terminal que parecia ter viajado no tempo.

sudo pacman -Syu

Reconstruindo o que Deveria Ter Vindo

Com o sistema atualizado, era hora de instalar o que havia ficado pelo caminho. Uma pesquisa rápida apontou para o grupo kde-applications-meta, que reúne o conjunto completo de aplicativos do KDE:

sudo pacman -S kde-applications-meta

O pacman fez seu trabalho. É tanto pacote caindo junto dentro do sistema que nem dá pra contabilizar. Pausa para hidratação compulsória.


Gerenciado de pacotes Pacman
Pacman guloso nos updates.


Após um longo período de download graças à minha lenta internet, e de conseguir de alguma forma retornar para o login gráfico, finalmente o Dolphin apareceu. O Konsole apareceu. A sensação foi de alívio. Uma pequena vitória técnica irrelevante aos olhos dos experts, mas compensadora para os primeiros passos.


Um Último Detalhe: o Firewall Invisível

O instalador havia instalado e configurado um firewall para o sistema, o UFW, mas sem a sua interface gráfica. Tecnicamente protegido. Praticamente gerenciável apenas por quem decora comandos cabulosos de cor, o que não é exatamente o meu caso.

sudo pacman -S gufw


Sistema completo
UFW e Dolphin, finalmente.


Uma janelinha simples apareceu. O firewall estava visível. Missão cumprida por hoje.

Nota mental: providenciar uns papéis de parede mais descolados para deixar o Plasma mais bonito.


O Balanço do Dia

No fim das contas, o Plasma estava de pé, atualizado, com seus aplicativos no lugar e o firewall visível. O que parecia um pesadelo era apenas uma tarde de trabalho, alguns momentos de pânico, e uma memória muscular que apareceu na hora certa sem avisar.


Sistema completo
Agora sim temos sistema.


Mas o episódio fica registrado. O sistema subiu bonito e eu fiquei travado porque não tinha terminal. Isso acontece. Talvez eu tenha confiado demais na eficiência do script instalador automático Arch-Install. Provavelmente acontece com muita gente que nunca vai contar porque parece bobagem demais para admitir.

Aqui a gente conta.

E no Slackware velho de guerra, o xterm feio já estaria lá me esperando.


Próximo capítulo: com o sistema finalmente habitável, é hora de encarar o ComfyUI. Quanto tempo o FX-6300 leva para gerar uma imagem? A resposta vai doer.